“Medicamentos Genéricos:
Desvendando Mitos e Realidades”

Dezembro 2023 | Jornal “O Alvaiazerense” | Dr. Mário Lourenço

Numa vasta parte das consultas médicas, termina-se com a prescrição de medicamentos, uma ferramenta essencial para combater doenças e recuperar a qualidade de vida. Surpreendentemente, muitos pacientes insistem na prescrição de medicamentos de marca, seja por “aptidão financeira”, por acreditarem na sua eficácia supostamente superior ou simplesmente por desconhecimento. Essa preferência, alimentada até por colegas médicos, frequentemente carece de fundamentação científica, deixando dúvidas sobre a verdadeira vantagem dos medicamentos de marca em comparação com os genéricos.

A defesa da superioridade dos medicamentos de marca não menospreza ou desvaloriza as opiniões pessoais dos pacientes. Existem motivos legítimos que podem levar um paciente a sentir diferenças ao usar medicamentos genéricos. Assim, apresento as informações essenciais para permitir escolhas informadas entre medicamentos de marca e genéricos.

O que são medicamentos genéricos?
Os medicamentos genéricos possuem o mesmo princípio ativo dos medicamentos de marca, oferecendo os mesmos efeitos terapêuticos. Embora não necessitem dos mesmos componentes inativos, só são comercializados após a expiração da patente do medicamento original.




Existem diferenças entre genéricos e medicamentos de marca?
Basicamente, apenas duas distinções separam os fármacos genéricos dos de marca: as substâncias inativas podem variar, e os genéricos geralmente são mais acessíveis financeiramente.

Como são garantidas as semelhanças entre genéricos e medicamentos de marca?
A FDA (Administração de Alimentos e Medicamentos dos Estados Unidos) e a EMA (Agência Europeia do Medicamento) estabelecem critérios rigorosos para garantir que os medicamentos genéricos sejam bioequivalentes e apresentem a mesma eficácia e segurança que os de marca. Devem conter os mesmos ingredientes ativos, com dosagens e qualidade equivalentes.

Os padrões de produção são semelhantes? Sim, a lei exige que os fabricantes de medicamentos genéricos sigam os mesmos padrões de produção dos medicamentos de marca, muitas vezes até sendo produzidos nas mesmas instalações.

Qual a poupança?
A poupança varia conforme o medicamento. Um estudo nos EUA calculou uma redução de cerca de 85% nos custos. Em 2022, Portugal economizou mais de 500 milhões de euros com genéricos.

Os relatos de “diminuição do efeito” são
fundamentados?

Embora os genéricos não exijam ensaios clínicos, presumimos que ofereçam o mesmo efeito clínico. Contudo, a ausência de estudos comparativos pode influenciar a percepção dos pacientes sobre a eficácia.

Existem estudos comparativos?
Sim, mas a maioria não revela diferenças na eficácia entre genéricos e medicamentos de marca. Porém, em áreas específicas da medicina, podem existir nuances de diferenças.

Conclusão
Em suma, a maioria dos genéricos é segura e eficaz. Médicos e pacientes devem combater mitos sobre a superioridade de marcas, muitas vezes mais dispendiosas. No entanto, variações individuais podem justificar discussões com os médicos sobre a continuidade ou alteração da terapia instituída.

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