“Sexualidade na “Terceira Idade”: Desafios e Oportunidades para Viver Plenamente”


Sexualidade na “Terceira Idade”: Desafios e Oportunidades para Viver Plenamente
A sexualidade é uma dimensão intrínseca da vida humana que nos acompanha em todas as fases da nossa existência. Contudo, na sociedade atual, a sexualidade na terceira idade permanece envolta em tabus e preconceitos, sendo frequentemente ignorada ou desvalorizada. Este artigo tem como objetivo desmistificar o tema e reforçar a importância de viver a sexualidade de forma plena e saudável, mesmo em idades mais avançadas.
O Que é Sexualidade?
A sexualidade vai muito além do ato sexual. Ela engloba afetos, emoções, identidade, autoimagem, intimidade e a capacidade de estabelecer conexões com os outros. Para as pessoas idosas, a sexualidade pode adquirir novos significados, que incluem um maior foco no companheirismo, na ternura e no toque, em detrimento da “performance” física.
A Sexualidade na Terceira Idade
Com o envelhecimento, é natural que ocorram mudanças fisiológicas, psicológicas e sociais que podem afetar a vida sexual.
Essas mudanças incluem:
Alterações Fisiológicas:
Nas mulheres, a menopausa causa uma diminuição nos níveis de estrogénio, o que pode levar à “secura” vaginal e a alterações na elasticidade dos tecidos, tornando as relações sexuais por vezes desconfortáveis. Estima-se que cerca de 40% a 60% das mulheres pós-menopáusicas experienciem algum grau de disfunção sexual.
Nos homens, a diminuição dos níveis de testosterona e a ocorrência de disfunção erétil são comuns. Estudos indicam que cerca de 50% dos homens acima dos 50 anos sofrem de algum grau de disfunção erétil, número que aumenta para 70% aos 70 anos.
Impacto de Doenças Crónicas e Medicamentos:
Condições como diabetes, hipertensão, doenças cardíacas e artrite podem dificultar a atividade sexual, quer por limitações físicas quer pelo impacto psicológico. Por exemplo, homens com diabetes têm o dobro do risco de desenvolver disfunção erétil em comparação com os não diabéticos.
Muitos medicamentos usados para tratar doenças crónicas, como antidepressivos e
betabloqueadores, estão associados a efeitos secundários que interferem com o desejo ou a
resposta sexual. Aproximadamente 25% dos idosos medicados relatam dificuldades sexuais relacionadas aos fármacos.
Fatores Psicológicos e Sociais:
A perda de um parceiro, sentimentos de solidão ou baixa autoestima são fatores que podem reduzir a expressão da sexualidade. Dados sugerem que mais de 30% dos idosos viúvos ou divorciados relatam perda de interesse sexual devido ao isolamento social.
O estigma social associado à ideia de que o sexo é exclusivo dos jovens pode levar os idosos a reprimirem as suas necessidades e desejos.
Apesar destes desafios, é importante sublinhar que a sexualidade não desaparece com a idade, mas adapta-se às circunstâncias e pode continuar a ser uma fonte de prazer e bem-estar.
Benefícios de uma Vida Sexual Ativa
Uma vida sexual ativa na terceira idade traz inúmeros benefícios, tanto físicos como emocionais.
Estudos indicam que a sexualidade pode:
Melhorar a saúde cardiovascular;
Reduzir o stress e promover sentimentos de conexão emocional;
Melhorar a qualidade do sono;
Fortalecer o sistema imunológico;
Contribuir para uma melhor autoestima e qualidade de vida.
Além disso, a intimidade emocional e física entre parceiros é um elemento central para o bem-estar e pode ajudar a reduzir sentimentos de isolamento e depressão.
Superar Barreiras: O Papel do Profissional de Saúde
Os profissionais de saúde desempenham um papel crucial no apoio à sexualidade dos seus pacientes idosos. No entanto, muitas vezes este tema é negligenciado nas consultas médicas, seja por desconforto do médico ou por pressupostos incorretos sobre o interesse sexual dos idosos. É fundamental abordar a
sexualidade de forma aberta e sem julgamentos.
Promover uma Sexualidade Saudável
Para além de soluções específicas, é essencial promover uma visão holística da saúde sexual. Algumas recomendações incluem:
Educação e Informação: Informar os pacientes sobre as mudanças esperadas no corpo com o envelhecimento e as opções disponíveis para manter uma vida sexual satisfatória.
Comunicação no Casal: Incentivar os parceiros a falarem abertamente sobre os seus desejos, preocupações e expectativas. A comunicação é uma ferramenta poderosa para superar desafios e encontrar novas formas de intimidade.
Estilo de Vida Saudável: Alimentação equilibrada, atividade física regular e evitar hábitos como fumar ou consumir álcool em excesso podem melhorar significativamente a saúde sexual.
Romper o Estigma: Participar em atividades sociais, grupos de apoio ou iniciativas
comunitárias pode ajudar os idosos a sentirem-se mais confiantes e a perceberem que não estão sozinhos nas suas experiências.
Sexualidade e Diversidade
É importante reconhecer que a sexualidade na terceira idade não é homogénea. Há idosos solteiros, viúvos, casados, com orientações sexuais distintas, e cada um tem vivências únicas. Respeitar essa diversidade é essencial para oferecer um suporte adequado e inclusivo.
A sexualidade na terceira idade é um tema que merece mais atenção e respeito. Envelhecer não significa abdicar do prazer, da intimidade ou do afeto. Pelo contrário, pode ser uma oportunidade para redescobrir novas formas de conexão e bem-estar. Como sociedade, devemos trabalhar para eliminar preconceitos e criar um ambiente onde todos os indivíduos, independentemente da idade, se sintam confortáveis para expressar a sua sexualidade de forma saudável e plena. Aos profissionais de saúde, cabe o desafio de liderar essa mudança, começando por abrir espaço para diálogos francos e informativos com os seus pacientes. Afinal, a sexualidade é, e sempre será, parte integrante da vida humana.
Termino desejando um ótimo 2025 a todos os leitores do “ O Alvaiazerense”. Que seja um ano de “saúde plena”.
